Um site nota 6 de 10 feito com IA é melhor do que não ter nada. Mas, para chegar mais longe, é preciso contexto, arquitetura e a pitada de quem entende. Uma análise de onde estamos indo.
Eu vou começar com uma opinião que talvez surpreenda: um site nota 6 de 10, feito com IA, rápido e barato, muitas vezes é bom o suficiente. Porque não ter nada é muito pior.
Antes de seguir, deixa eu explicar essa nota, porque ela vai aparecer bastante por aqui. Imagine uma régua de 0 a 10 para a qualidade de um site:
- 0 a 3: abaixo do aceitável. Quebrado, confuso, lento, ou simplesmente não existe.
- 4 a 5: abaixo da média. Está no ar, mas passa a impressão errada ou dificulta a vida de quem visita.
- 6: acima da mediocridade, mas longe de ser excelente. Cumpre o que precisa: abre rápido, funciona no celular, é claro e organizado. Só que ainda se parece com muitos outros.
- 7 a 8: bom. Tem identidade, e o visitante entende por que aquela empresa é diferente.
- 9 a 10: excelente. Memorável, único, e trabalha de verdade pelo objetivo do negócio.
Quando eu falo em “site nota 6”, é esse: correto, funcional e genérico. Nem ruim, nem marcante.
E vou terminar com outra: se você quer ir além do nota 6, a ferramenta não resolve. Este texto é a minha análise de para onde os sites estão indo e de onde a gente brilha nesse cenário.
A IA é obrigatória. Esse debate acabou.
Eu uso IA todos os dias, gosto de trabalhar assim, e acho que quem não usar vai ficar para trás. Ela é obrigatória, como foi a internet e o computador.
Só que existe uma ideia perigosa circulando: a de que basta “pedir para a IA” e o site está pronto. Eu entendo de onde ela vem. Em poucos minutos sai uma página com cara de profissional. Mas cara de pronto não é estar pronto.
A mesmice não é culpa da IA
Você já abriu cinco sites de empresas diferentes e achou que eram o mesmo? Mesmo menu, mesma etiqueta acima do título, mesmo destaque na segunda linha, mesmo painel de gráficos.
Isso já acontecia antes da IA. Nós, profissionais, copiamos uns aos outros durante anos, e a IA aprendeu com isso. Ela devolve a média. O que ela faz bem é o óbvio: menu, rodapé, estrutura, formulário, adaptação ao celular. E está ótimo que faça, ninguém precisa reinventar um menu.
Por que o site nota 6 ficou de graça (e por que isso é bom)
O que antes dava trabalho para produzir virou ponto de partida. Quem não tinha site e não podia pagar por um agora consegue ter. Isso é bom, e é coerente com a razão do nosso nome: a gente acredita que site é a porta de entrada para o digital, e que essa porta deve estar aberta para o pequeno e para o grande.
O problema não é o site nota 6. O problema é achar que ele é o teto.
O que acontece quando o prompt é ruim
Mesmo que você use as mesmas ferramentas que eu, o resultado pode ser bem diferente. Veja um pedido bem comum:
Parece completo, mas não diz nada sobre o seu negócio, o seu público ou o seu objetivo. Um site feito com pouco contexto e um pedido vago costuma sair assim:
- bonito, mas sem dizer nada de específico sobre o seu negócio;
- sem um caminho claro para o visitante (o que eu faço aqui?);
- com pontos importantes confusos ou ausentes: contato, prova, oferta;
- sem medição, então ninguém sabe se funciona.
Isso é o que eu chamo de slop: um site que existe, mas não trabalha para você. E o pior: ele pode prejudicar o seu objetivo, porque parece pronto e ninguém percebe o que falta.
O que está por trás do que você vê
Quando alguém olha um site pronto, vê o design. Quase tudo que importa não aparece:
- arquitetura: como as páginas se organizam e como o Google e as pessoas navegam;
- planejamento e escopo: o que entra, o que fica de fora, e por quê;
- refinamento: texto, estrutura e conteúdo ajustados ao negócio;
- testes e validação: celular, velocidade, formulários, acessibilidade;
- integração: WhatsApp, e-mail, ferramentas, pagamento;
- hospedagem: o site no ar, rápido e seguro;
- monitoramento e rastreamento: ver se está tudo funcionando, de onde vêm as visitas e o que elas fazem.
Eu trabalho com agentes de IA que têm skills, contexto e documentação próprios, construídos ao longo de muitos projetos. Por isso eles fazem coisas que um prompt solto não faz. Mas quem projeta, decide e valida sou eu e a equipe. A IA acelera, a responsabilidade continua sendo de gente.
Quer entender o que o seu projeto precisa? Conte o seu cenário, grande ou pequeno, e a gente adapta ao que você precisa e pode.
Onde o especialista brilha
Se a IA entrega o óbvio, o que sobra é o que não é óbvio. É aí que entra o criativo fora da média:
- uma interação diferente na primeira tela;
- uma animação que faz sentido para o seu negócio;
- um elemento visual desenhado à mão, em 2D, que ninguém copia;
- qualquer coisa que quebre o padrão que a IA repete.
São poucos pontos num site. Mas são eles que fazem alguém lembrar de você, e eles não podem ser médios. O resto pode ser automatizado com tranquilidade.
O que eu esperaria de quem faz o seu site
Se eu fosse contratar, perguntaria:
- Como vocês vão entender o meu negócio antes de desenhar?
- Quais partes terão atenção de verdade, e quais são padrão?
- Como a minha marca vai falar?
- Como vamos saber se está funcionando?
- Quem cuida depois que estiver no ar?
- Se eu trocar o logo por outro, alguém percebe?
E uma última: eles usam IA? Quero que usem. E quero que me digam como.
Para onde isso vai
Minha aposta: o site nota 6 vai ficar cada vez mais fácil, e vai ser cada vez mais comum. O que vai valer é entender o negócio, dar voz à marca e acertar os poucos pontos que marcam. Quem fizer só o primeiro vai ficar igual a todo mundo.
Na Internete.se, a gente faz o seguinte: entendemos o seu negócio, construímos a experiência e cuidamos do resto. A IA nos ajuda nos dois últimos. O primeiro, e o toque que faz a diferença, continua sendo de gente.
Parte das ideias deste texto veio de um vídeo do Square Black (squareblack.com), que fala sobre o papel do designer na era da IA. Vale assistir.
Perguntas rápidas
Dá para fazer um site só com IA?
Dá para ter um site no ar. Se ele for feito com pouco contexto, porém, tende a ser genérico e a atrapalhar o seu objetivo. Com contexto e revisão de um especialista, o resultado muda muito.
Se eu usar as mesmas ferramentas que vocês, chego ao mesmo resultado?
Não necessariamente. A ferramenta é a mesma, mas o contexto, o planejamento, os testes e o olhar de quem faz isso todo dia não vêm junto com ela.
Site simples e barato vale a pena?
Vale. Um site simples, rápido e bem feito é muito melhor do que não ter nenhum. A questão é saber qual é o seu objetivo para decidir até onde ir.
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